13 de novembro de 2015

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1 de julho de 2014

ENCONTROS COM O MÊS DE JULHO (01)

Hoje é 1º de Julho.

Os sete quilômetros que separam minha casa na Praia do Flamengo ao trabalho em Itapuã, são suficientes para ouvir umas quatro músicas. Por sorte, bem antes de agora, no domingo crepuscular, chegaram em minha varanda os compadres cantadores, Mirian e Wilson Aragão. Seu filho Rui Aragão, logo cedo naquela calma que lhe é peculiar, no balanço da rede, nas prosas do cotidiano, já tinha sintonia com seu smartphone em rede e na rede.

A fala inicial só foi para falar que os compadres trouxeram como presente, um CD intitulado FORRÓ e CANÇÕES. Assim, no dia de hoje e de agora, levei Wilson Aragão em CD, na viagem dos sete quilômetros para ouvi-lo, não em seus causos que ouviria só um, dado a comprimento das falas. Também nem quis lisonjear-me com a música que fala: "Agora aprendi o caminho da roça, Caldas de Cipó, segura Noure lá no Rio Quente". "Massaranduba quanto tempo faz" ouvi apenas um refrão.Quase que parava em "Dúvida Duvidosa" naquela ideia de "Não sei se eu falo, não sei se não falo". Segui caminho nas faixas e já estava na curva de Stella Maris quando pulei pra " um abraço até logo salvador, nem que seja no lombo de um jumento...". Daí, o pulo chegou a "Deja...Quando na noite das luas de luar...E já sabia o que era uma canção." Pra lembrar o domingo, nada mais do que "E no domingo depois que eu beber vinho francês...Na estrada dessa manhã de novesfora nós dois". Nem vou citar fragmentos de Sertões e sertões, o clássico das canções, nem Beira Mar, nem "No inverno da noite, no Soure da vida", quanto mais, Tecendo o Amanhecer, "Mosaicos". Istalô, istalô, indicou a música que poderia ouvir por completo quando peguei o pedaço da Paralela e da Dorival Caimmi até chegar o destino final.

A quarta faixa do CD comemorativo das cantorias de Wilson Aragão, entre as 19 copiadas e coladas ao vivo no Artesanal Estúdio do também amigo e filho dos Aragão, Pitt, é a que ouvi quase que completo. Nem toda, mas, vejo que a parte: "E por falar de amor, faz tanto tempo que não te vejo, re re repare que ga gagarejo...Já perdemos tanto tempo, tanto tempo a caminhar." É uma parte que traduz e muito o coração do compadre cantador. Em seu mundo de assentamento, nas freguesias de Santo Amaro, reflexões no correr dos tempos, na caminhada dos diálogos, faz ecoar um silêncio que se ouve em todo sertão na ideia de ser um bom peregrino na estrada, cicatrizando caminhos, peregrino na noite com a sina de ser um filho da terra pelo mundo que não é dele.

Chego ao ponto de ficar e até às 12 horas, entre atendimentos e falas profissionais, ouvir o som ambiente naquela ideia de "vai pensamento sonha, abre as porteiras da terra", faz-se necessário.

Noure Cruz

9 de abril de 2014

A FRASE?
- Meu Deus! Corre que o Grandotel tá pegando fogo!

COM UMA BANDA INTERNACIONAL TREPIDANT'S - AO VIVO! UIA! CANTANDO REMEMBER ME. Tô até ouvindo agora. Linda!
O PRIMEIRO GELO SECO EM CIPÓ, NUM BAILE DO GRANDE HOTEL 
FOI UM DEUS NOS ACUDA E SALVE-SE QUEM PUDER.
Sem dinheiro e menino não podia entrar, entrei pelo buraco, via seu Martins do pastel
Muita sandália perdida, coletes no chão...

Mas, a história faz parte.
Houve um tempo que por aqui tinha gringo de araque:
O amigo Sandorval, criador em Cipó da fala: "é isso aí gentche amiga"
dava um alô para mim assim: um abraço para o amigo Norievysky Kravejack, dado que o pessoal lhe falava no ouvido: ele parece que num vota na gente.
Em Ribeira do Pombal na adolescência, eu me apresentava como Odlaviruon Arierref.Janilson era noslinaj e o amigo Carlinhos de Caçula era Sohnilrac, sem contar que Divalso do finado Titela era Dhyvan e Vanginho chapista era Éder.

Nem era assim que eu queria falar as coisas. É que tava numa pesquisa, pronto, falei, dos anos 70 no Brasil e enxerguei que pra ser cantor bom no Brasil, era necessário ter nome estrangeiro com um inglês pra lá de palavras montadas, até porque a discoteca, o dancidays, era sinônimo de sucesso.
Ontem eu estava de plantão na madrugada, Expobahia/2014 e mostrei a um amigo cinquentão a banda Trepidants e ele falou: "isso é que era música!" Informei que era de Recife e ficou maravilhado.
Banda, cantor, fazia-se passar por americano ou britânico, ainda que tivesse nascido em Copacabana ou no Cauanga. Vendia-se muito disco e muitas novelas utilizavam como trilha sonora.

Olhem os nomes dos brasileiros cantores: Morris Albert (o autor de Feelings), Mark Davis que é Fábio Jr.), Chrystian que é o José Pereira da Silva, Christie Burgh era o finado Jessé.
Bandas? A maioria tocava em bailes, como os grupos Sunday, Lee Jackson, Light Reflections e Pholhas, Harmony Cats. Na pesquisa, li que as letras eram compostas por quem não sabia nada de inglês. Hoje, graças que tem o GOOGLE TRADUTOR.Hunnn.
Eles tiravam os versos de suas canções de um livro dos anos 30 chamado Inglês Como Se Fala. "A gente achava uma frase legal, copiava e depois tentava emendar com outras do mesmo livro", confessa Oswaldo Malagutti, ex-baixista do grupo Pholhas.

http://letras.mus.br/trepidants/877496/#radio

Noure Cruz.

7 de fevereiro de 2014

Um terreiro observado e vivido por Jorge Amado - TERREIRO DE JOÃOZINHO DE GOMEIA

Outros candomblés podem ser mais puros no seu rito, como o do Engenho Velho de brotas e o Axé do Opô Afonjá, o grande templo da mãe de santo Aninha.
Porém, nenhuma macumba tão espetacular como essa da roça de Gomeia, ora nagô, ora angola...
Ali aprendem os cantos e as danças, a língua nagô, que é ritual dos candomblés.
Pelo caminho encontram dois ou três candomblés que São caetano é caminho de orixás e caboclos, mas, a roça de Gomeia fica mais longe e mais importante.

Não é uma chácara, é templo religioso

Na casa do pai de santo está a camarinha onde as iaôs e as filhas de santo mudam a roupa, quando os santos descem para montar seus cavalos. Ali estão guardados os vestidos mais belos que se possam imaginar. O vestido vermelho espantoso, de palha, que é a roupa de Omolu, o médico dos pobres. Ali estão as roupas azuis e brancas de Iemanjá, a espada de Oxóssi, os instrumentos de Xangô. As roupas alvas e belas de Oxalá, o maior dos santos.

E noutro quarto, o peji. Sobre grandes talhas rendadas, em meio a flores e fitas, vê-se a pedra verde de
Iemanjá, a deusa das águas.
No chão tapetado de folhas, os pratos de comida oferecido aos santos: o acarajé, o abará, o acaçá, o xinxim de galinha.
 No fundo da casa, enfeitado com bandeirolas está o terreiro. Numa extremidade levanta-se o altar, onde os deuses caboclos e negros e os santos católicos se misturam. Ao seu lado ruge a orquestra "monótona e estridente" de que nos fala Castro Alves no Navio Negreiro. Atabaque, agogô e chocalho, eis os instrumentos. A música parece monótona e aos poucos abalará nervos dos presentes que se sentem sacudidos por uma invencível vontade de bailar. Desde pequeno, as pessoas se habituaram a ouvir esses cantos.
A princípio a dança é simplesmente ritual. Ainda não desceram os deuses. Vem a música mais poderosa, a orquestra ganha nova força, as canções são cantadas por todos. Vem Xangô e Oxóssi, vem o caboclo Pedra Preta cavalgando Joãozinho de Gomeia, vem Oxalá.

As filhas de santo caídas em transe, são levadas para a camarinha onde a roupa da baiana é trocada pelos vestidos do santo. Retornam e a orquestra ganha mais força e a dança já não é bem comportada. São bailados executados pelos caboclos e orixás.
Na sala de jantar, a comida do santo está sendo servida, acompanhada de aluá. Os deuses e os homens dançam em perfeita intimidade. 
Isso acontece no candomblé de Gomeia, em noite de macumba que duram dias e dias,e também em cerca de novecentos cabndomblés da cidade da bahia. Cidade negra, branca, cabocla, cidade mulata.
Jorge Amado em Bahia de Todos os Santos - Guia de ruas e mistérios.

17 de janeiro de 2014

LADAINHA DE MEUS DEDOS

Ladainha de meus dedos...

Foto via Lelinha,
Que buscou de Naninha
Que já se fez em mais de 100 compartilhamentos
E que chegou por aqui, assim,
Com longa viagem
Na base do salvar imagem
Daí,
De dedo em dedo
Salva e dá dó
Quem visita entende
Tá melhor ou pior?
E cada postagem uma saudade
Grande Hotel Caldas de Cipó
Todo produzido
Cheio de maquiagem
Deu luzes? Linda imagem!
A escuridão fez aparências rejuvenescidas
Botou botox?
E ainda com espelho cristalino em reflexo
Ai, ai fonte luminosa
Luzes sem água é um insulto
Coitada! Vc e seu instante
Vida não corre em seu duto
Tudo bem que é vigiada
Uma posição privilegiada
E entende o amigo Grande Hotel
De qualquer forma todo Feliz Natal,
A alegria compartilhada é natural
A gente olha e fica perplexo com compaixão
Na frente seu jeito artificial
Ao fundo só escuridão
Não se culpa um governo
Se culpa uma geração
Produtora de fingimentos
Aparências em prontidão
Cantou um poeta cipoense
Quando canto eu não choro
Talvez a arquitetura responda
Quero descansar em paz, eu imploro!
De cá respondo, mas, como se é visível
O seu jeito de se mostrar?
Mesmo com seu interior despedaçado
Não tem como não se olhar
Sabe Grande Hotel...
Não se deixe maquiar muito
É uma grande indecência
Mesmo sendo seus dias de estrela
Todos querem algo mais
Por admirar sua posição
Seu status de referência
Sabe quem protege o jovem que visita a praça?
Você!
Sabe quem já casou muita gente e brindou alegrias?
Você!
E tem muito mais...
Você é quem ampara muitos dos eventos
E não lhe dão nada em troca. Apenas um varrer aqui
Uma limpeza acolá
Mas, no outro dia...
Fica sozinho.
Não falo assim para ficar triste
Continue no natal sendo a luz,
Mesmo dentro de você
Ter uma quantidade de pus
Fique de boa e uma certeza
Uma certeza fica no ar
Parodiando um cantor amigo
Tem horas que a noite não tem uma estrela...
E você tem que brilhar.

Noure Cruz...

UM BANHO DE ÁGUA THERMAL

Sai o lodo
Fica o ferrugem
Sai a asia
Fica o magnésio
Sai o corre corre
Fica o Yoga
Sai o suor
Fica a água
Sai a zuada music
Fica o canto da cascata
Passa um doido
Entra um saudoso
Passa um evangélico
Entra um banhista
Passa um poeta
Entra a poesia
Sai, fica, entra, passa
Tudo se pacifica
Nos segredos das águas
Ao fundo uma poesia
E georgina Erisman grita
Na mais linda tela do sertão
No oásis que fala comigo
Assim...
Thermas, thermas
Calor que refresca em mim
Passantes que me vejo em passado
Presente que me vejo em passantes
Futuro pelas variantes
No instante extasiante
Thermas, thermas
Não há quem não se encante
E este é meu bom instante
Sereno, tranquilo, nas águas
Irradiante!
Noure Cruz.

MEU ACIDENTE

Não!
Não é sensacionalismo
Apenas um lembrete
De Eudimim
Natal/88
05 da manhã
Retorno de Pombal
Um colega se foi:
Fábio Muniz. Uma pena
Ficaram pra contar a história:
Jorge Mota
Solteiro, Dade, Lula.
E eu
Com a perna em fraturas
Uma imagem que se rasgou
E ficou o pedaço
Que ainda carrego a marca do acidente
Não poderia saber que naquele ano
Ouvindo Strauss o dia todo
Danúbio Azul e Bosques de Viena
Com um Old Eight.
Contratando Nezinho do amor
Com seu carro a gás
Que me perguntou:Lhe espero?
Eu disse, não! Há muitos amigos aqui
E fiquei e acordei quando disseram:
Tá virando!
Eu meio que no efeito eight
Apenas disse:
Virando
E mais nada!
Ficamos gratos aos que vinham com o outro carro
Juliano, Claudia, Reis e,
Edenice.
Assim...
Resisti ao tempo
E caminhando nele
E sempre
Com uma força maior...